




Borrazópolis vive um momento considerado dramático no campo. Levantamentos já apontam que o município enfrenta uma das estiagens mais severas dos últimos anos, com prejuízos que já são visíveis em praticamente todas as regiões rurais.
As perdas variam de 20% a 60% na produtividade, dependendo da localidade. Entre os pontos mais afetados estão Fogueira, Café do Norte, Paulo Kisner, Laranja Doce, Três Placas e Aviação, embora produtores afirmem que há impactos em todo o território. A seca prolongada, associada às altas temperaturas, vem castigando as lavouras e tirando o sono de quem depende da agricultura. A situação se torna ainda mais difícil porque muitos agricultores já vinham de problemas anteriores. No ano passado, no início da safra atual, uma chuva de granizo atingiu cerca de 400 alqueires de soja na região da Fogueira, obrigando o replantio. Com o plantio mais tardio, a cultura acabou sendo atingida agora justamente pelo período mais crítico de falta de chuva.
Além do clima, o mercado também preocupa. O preço da soja, que já era considerado baixo no início da safra, sofreu novas quedas, dificultando o fechamento das contas. Produtores relatam que este pode ser um dos momentos mais complicados da história recente da agricultura local, acumulando pelo menos cinco ciclos de frustrações ou rendimentos abaixo do esperado.
O secretário municipal de Agropecuária, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente, Indústria, Comércio e Turismo, Cristiano da Silva Stapait, informou que a prefeitura trabalha na elaboração de um decreto de emergência. Segundo ele, o município está em contato com o IDR-PR e com o engenheiro agrônomo Leandro Cividini para consolidar os dados de um relatório. Cristiano explicou que, em outubro, já houve decreto em razão do granizo, o que atrasou o calendário de muitos produtores. Agora, com a soja em fase sensível, a estiagem agravou ainda mais o cenário. Ele ressaltou que mesmo quem conseguiu colher razoavelmente enfrenta dificuldades por causa do valor pago pelo produto e os autos custos dos insumos. No plantio, o preço girava entorno de 130 reais, e neste momento, chega na safra com um valor aproximado de 112 reais, tornando praticamente impossível o pagamento de parcelas de investimentos em máquinas e equipamentos.
O prefeito Adilson Lucchetti, o “Didi”, confirmou a preocupação. Ele afirmou que aguarda o fechamento do levantamento, mas reconhece que, se o tempo seco continuar, o prejuízo pode aumentar, já que a crise está instalada. O prefeito lamentou a situação e disse que fará o possível para buscar apoio, lembrando que a economia do município é fortemente movida pelo campo. Outras cidades da região Vale do Ivaí também enfrentam problemas semelhantes, um exemplo é Kaloré. Enquanto isso, agricultores seguem com futuro incerto e em busca de soluções. “O decreto será algo importante, porque pode fazer com que tenhamos acesso a alguns benefícios como prorrogação de dívida e outras políticas públicas”, afirmou um dos produtores. Uma foto registrada pelo técnico agrícola Edmilson Medeiros (Capitinga) revela uma fenda no chão, rachadura provocada pelo ressecamento do solo e altas temperaturas.
































































































































































































































