
O sonho do enriquecimento rápido por meio das apostas online tem se transformado, na verdade, em um caminho acelerado para o endividamento. Além do prejuízo financeiro direto, a prática constante acarreta perda de controle emocional, conflitos familiares e sérios impactos na saúde mental dos apostadores.
Os dados são de um levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), realizado com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, as apostas movimentam anualmente R$ 2,2 bilhões, valor que supera em mais de três vezes a estimativa de movimentação financeira para as compras de Natal.
A pesquisa mostra que 22,8% dos entrevistados já participaram de apostas online. O principal motor dessa adesão é a busca por dinheiro fácil: 33% jogam pela chance de ganho rápido e 25,4% veem no jogo uma oportunidade de fazer renda extra. A maioria desse público (36%) recebe entre um e dois salários mínimos, enquanto 19,4% ganham até um salário mínimo.
No entanto, o controle sobre os impulsos é frágil. Cerca de 22,3% dos participantes admitiram dificuldade para parar de jogar, e 42% confessaram retornar às apostas para tentar recuperar o dinheiro perdido. Além disso, 29,1% dos entrevistados já sentiram culpa e 34,8% foram criticados por familiares ou conhecidos devido ao hábito.
O impacto financeiro é preocupante: 5,1% dos apostadores afirmaram ter se endividado diretamente por causa da atividade. O cenário ganha contornos ainda mais graves quando cruzado com outros indicadores, que revelam que 42,9% do público geral possui alguma dívida ativa e, desse grupo endividado, 45,9% estão com as contas em atraso.
Entre as plataformas digitais mais utilizadas, as chamadas “bets” lideram com 60,9% de participação, seguidas de perto pelo jogo do “Tigrinho”, com 49,4%. Em termos de frequência de uso, 21,9% dos entrevistados declararam jogar diariamente, enquanto 27,9% fazem apostas de uma a duas vezes por semana.
O gasto médio declarado pelos usuários é de R$ 96,30 mensais. Com uma estimativa de 1,9 milhão de apostadores na região metropolitana fluminense, projeta-se uma movimentação de R$ 182 milhões por mês na localidade, recursos que deixam de circular no comércio tradicional e no setor de serviços.
De acordo com João Gomes, diretor-executivo do IFec-RJ, existe uma percepção equivocada de que as apostas funcionam como investimento. Ele alerta que esse comportamento compromete gravemente os orçamentos familiares e reduz o consumo geral, gerando um impacto socioeconômico negativo que afeta toda a economia fluminense.
Fonte: Agência Brasil





















































































































































































































