Câmara tem tumulto após protesto de Glauber Braga; deputado é retirado à força e clima político se acirra em Brasília

A tarde de terça-feira (9 de dezembro) foi marcada por tensão no plenário da Câmara dos Deputados. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira da presidência por agentes da Polícia Legislativa Federal após ocupar o assento em protesto. O ato ocorreu momentos depois de o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação de Braga, além dos processos envolvendo Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), estes dois últimos já condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Glauber, sua ocupação da cadeira foi uma forma de contestar a condução dos trabalhos e o que ele classificou como tratamento desigual em relação a outros protestos ocorridos no passado. Em agosto, parlamentares da oposição chegaram a bloquear fisicamente a mesa diretora por cerca de 48 horas sem sofrer retirada forçada, fato citado pelo psolista durante sua fala no plenário.

Menos de uma hora após o início do ato, agentes da Polícia Legislativa o removeram. O sinal da TV Câmara — que transmitia a sessão ao vivo — foi interrompido, e a imprensa foi retirada do local. Ainda não foi informado quem determinou o corte da transmissão.

Após ser levado ao Salão Verde, Glauber Braga apareceu com a camisa rasgada e falou a jornalistas. Ele criticou o que chamou de “ofensiva golpista”, afirmando que o processo de cassação contra ele estaria ligado à votação de um projeto que reduz penas de investigados pelos atos antidemocráticos. O deputado declarou que continuará defendendo as liberdades democráticas e afirmou que sua reação foi motivada por preocupações institucionais.

Glauber responde a processo por ter desferido um chute contra um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), em 2023, episódio que pode resultar na perda de seu mandato.

Em manifestação publicada na rede social X, o presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que Glauber desrespeitou o Legislativo ao ocupar a presidência da Casa sem autorização. Motta afirmou que atitudes como a do deputado “agridem o funcionamento das instituições” e comparou o ato a comportamentos extremistas. Ele também determinou a apuração de eventuais excessos cometidos durante a retirada da imprensa.

A votação sobre a cassação do mandato de Glauber Braga está prevista para ocorrer nesta quarta-feira (10), em meio a um ambiente político marcado por fortes embates e acusações entre diferentes campos da Câmara dos Deputados.