A implantação dos pórticos eletrônicos de pedágio no Paraná dominou o debate realizado na noite de segunda-feira (2 de março), no Auditório Legislativo da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em Curitiba. Durante a audiência pública, o prefeito de Mauá da Serra, Givanildo Lopes, o Giva Lopes, fez duras críticas ao modelo adotado e afirmou que poderá criar uma nova via de acesso ligando o município a Faxinal pela PR-272, caso a concessionária Motiva Paraná não retire ou altere o ponto de cobrança.
Em sua fala, Giva relatou ter protocolado um abaixo-assinado com assinaturas de moradores contrários à instalação do pórtico. Ele questionou o chamado desconto gradativo oferecido no sistema free flow, argumentando que o trabalhador que utiliza a rodovia diariamente paga valores elevados antes de atingir percentuais maiores de desconto. “O trabalhador que ganha R$ 50 ou R$ 70 por dia vai pagar cerca de R$ 20 para ir e voltar. É justo?”, questionou.
O prefeito também criticou a possibilidade de o município arcar com custos indiretos da cobrança, mencionando receitas como ICMS e ISS, que segundo ele devem ser destinadas à saúde e educação. Giva afirmou que já solicitou formalmente à ANTT a alteração da praça de pedágio, defendendo que um deslocamento de poucos quilômetros resolveria o problema para a população local.
Em tom enfático, declarou que, se não houver solução, poderá abrir um novo acesso ligando Mauá da Serra a Faxinal pela PR-272, rodovia que não é pedagiada. “Se não pode na rodovia pedagiada, vamos abrir na que não é. A 272 não é pedageada”, disse, pedindo apoio dos deputados estaduais para viabilizar a pavimentação do trecho.
A audiência reuniu parlamentares como Ney Leprevost, Fábio Oliveira, Luiz Claudio Romanelli, Delegado Jacovós, Tercílio Turini, Arilson Chiorato, Evandro Araújo e Hussein Bakri, além de prefeitos e lideranças regionais. Entre as críticas levantadas estão a ausência de proporcionalidade tarifária, a mudança dos pontos de cobrança e o impacto direto aos moradores lindeiros.
O sistema free flow permite cobrança automática por meio de câmeras e sensores, sem praças físicas. Deputados questionaram se o modelo adotado no Paraná realmente garante pagamento proporcional por quilômetro rodado, conforme previsto na legislação federal.
Representantes das concessionárias e da ANTT afirmaram que os contratos preveem descontos progressivos e justificaram que a cobrança integral por quilometragem enfrenta limitações técnicas devido ao grande número de acessos às rodovias paranaenses.
O debate deve continuar nas próximas semanas. Parlamentares articulam inclusive uma ação popular para questionar aspectos técnicos e jurídicos dos contratos firmados. Enquanto isso, prefeitos como Giva Lopes reforçam a mobilização regional em busca de alternativas que reduzam o impacto financeiro à população. Matéria completa no site da Alep.






























































































































































































































