POLÊMICA – Presidente da Câmara de Mauá registra boletim acusando ex-prefeito de racismo

(No vídeo acima, um trecho do momento da confusão)

Nesta quarta-feira, 19 de novembro de 2025, o presidente da Câmara Municipal de Mauá da Serra, Luciano Roberto Pinto, conhecido como Faísca, procurou a Delegacia de Polícia local e de Marilândia do Sul para registrar um boletim de ocorrência contra o ex-prefeito Inácio Mendes Filho, o “Inacinho”. A acusação é de injúria racial durante a sessão extraordinária realizada no dia 18 de novembro, a mesma que resultou na cassação do mandato do vereador Frantesco Carneiro Gomes.

Segundo consta no boletim, anexado à ocorrência, Luciano relata que Inácio estava na plateia quando teria lhe direcionado a expressão “preto sujo”, além de outras ofensas proferidas no momento em que a sessão ficou tumultuada. O presidente da Câmara afirma que chegou a pedir a retirada de Inácio do plenário após reiterados desentendimentos.

No documento, Luciano também descreve que outras pessoas se exaltaram durante a reunião e que vereadoras e vereadores presentes auxiliaram a restabelecer a ordem. Ele ainda informou à Polícia Civil que encaminharia imagens das câmeras de segurança da Câmara para instrução da investigação.


Ouvido pela reportagem de Ronaldo Senes (Berimbau), o ex-prefeito negou ter proferido qualquer expressão de cunho racista contra o presidente da Câmara. Ele disse que realmente houve ânimos exaltados, mas que isso ocorreu devido à insatisfação de grande parte dos presentes com a cassação do vereador Frantesco.

“O que eles fizeram aqui não tem cabimento. Cassaram o mandato de um vereador justo, honesto, que não gasta diárias como os demais e que cortou mordomias. Também fiz um boletim de ocorrência, e a Justiça vai mostrar que sou inocente nessa história”, afirmou Inacinho.

O caso agora segue para investigação da Polícia Civil, que deve analisar depoimentos, registros da sessão e as imagens mencionadas pelo presidente do Legislativo.

Cassação do vereador
A sessão que desencadeou o tumulto ocorreu na tarde de terça-feira, 18 de novembro. Por sete votos a um, a Câmara decidiu cassar o mandato do presidente da Casa, vereador Frantesco Carneiro Gomes, após análise de denúncia que apontava comportamentos abusivos, perseguição a servidores e assédio moral. Apenas o próprio vereador votou contra a cassação.

O processo teve origem em abril, quando dois moradores protocolaram denúncia por quebra de decoro. Eles relataram perseguição a servidores, exonerações consideradas arbitrárias e relatos de constrangimento envolvendo profissionais contratados pela Câmara.

Frantesco sempre negou as acusações e afirma ser vítima de perseguição política. Com a decisão tomada pelo plenário, o Legislativo deve iniciar agora o processo para convocação do suplente, enquanto o vereador cassado tenta reverter a decisão na Justiça.