SAÚDE – Saiba mais sobre a decisão do Ministério da Saúde de tornar obrigatória a notificação de casos de esporotricose humana

O Ministério da Saúde incluiu a esporotricose humana na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública, tornando obrigatória a comunicação semanal dos casos confirmados em todo o país, tanto na rede pública quanto na privada. A medida busca ampliar o monitoramento da doença, que tem registrado crescimento expressivo, especialmente em casos de transmissão de animais para humanos.

A esporotricose é uma micose causada por fungos do gênero Sporothrix e pode ocorrer após ferimentos na pele, geralmente associados ao contato com solo, plantas e matéria orgânica. Nos últimos anos, porém, a transmissão zoonótica ganhou destaque, principalmente envolvendo gatos, que se tornaram os principais transmissores da doença. Em humanos, a infecção ocorre, na maioria das vezes, por arranhões ou mordidas, causando lesões cutâneas que podem evoluir para feridas persistentes.

Com a nova regra, os casos confirmados devem ser registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), por meio da versão on-line e-SUS Sinan. A notificação deve ser feita pela unidade de saúde responsável pelo diagnóstico, com o preenchimento da ficha individual contendo informações clínicas e epidemiológicas do paciente.

Segundo a coordenadora-geral de Vigilância de Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas do Ministério da Saúde, Fernanda Dockhorn, a iniciativa permitirá um retrato mais fiel da situação da doença no país. “Com a notificação compulsória, conseguimos construir um panorama epidemiológico mais consistente e fortalecer a tomada de decisão em todos os níveis de gestão, melhorando as ações de vigilância, prevenção e assistência”, destacou.

Para fins de vigilância, são considerados casos suspeitos pessoas com lesões cutâneas ou mucosas que não respondem ao tratamento antibacteriano, podendo apresentar nódulos, úlceras e secreções. A confirmação pode ocorrer por avaliação clínico-epidemiológica, considerando histórico de contato com gatos ou trauma com material orgânico, ou por exames laboratoriais, como cultura do fungo ou testes moleculares.

Especialistas alertam que a doença representa um grave problema de saúde pública. Estudos recentes apontam alta taxa de infecção em gatos em algumas regiões do país, como no Nordeste, onde pesquisas identificaram diagnóstico positivo em cerca de 40% dos animais analisados em determinados municípios. Em pessoas com imunidade comprometida, a esporotricose pode evoluir para formas graves, atingindo órgãos internos e o sistema nervoso, com risco de morte — como já registrado no Brasil em 2025.

O Ministério da Saúde reforça que a prevenção passa pela guarda responsável de animais, com restrição da circulação de gatos em áreas externas, busca imediata por atendimento veterinário diante de sinais suspeitos e cuidados no manejo de animais doentes. Em atividades profissionais como jardinagem, agricultura, construção civil e manejo de animais, é recomendado o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e calçados adequados.

A resposta à doença segue o conceito de “Uma Só Saúde”, integrando ações da saúde humana, saúde animal e meio ambiente. A articulação entre vigilância epidemiológica, vigilância de zoonoses, atenção primária e saúde do trabalhador é considerada fundamental para conter a expansão da esporotricose e proteger a população.