APUCARANA – “É um cenário de terror”, diz prefeito Rodolfo ao se emocionar após temporal; veja a entrevista

“É realmente um cenário de terror. Temos relatos de famílias se escondendo debaixo da mesa, enquanto o telhado e o forro eram levados pelo vento. Felizmente, nenhuma vida humana foi perdida”. O relato emocionado é do prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, durante entrevista concedida na manhã desta terça-feira, 22 de setembro, à Rádio Nova Era FM e ao Blog do Berimbau, com o repórter Ronaldo Senes, o Berimbau.

O prefeito contou que trabalhou com as equipes até aproximadamente 3 horas da madrugada e que, até aquele momento, cerca de mil famílias já haviam procurado atendimento emergencial para receber lonas. Segundo ele, ainda não é impossível calcular quantas residências, empresas e estabelecimentos comerciais foram atingidos.

Rodolfo afirmou que a força do vento atravessou diferentes regiões de Apucarana e disse que há suspeita da ocorrência de tornados, informação que ainda depende de confirmação técnica. Árvores de grande porte foram arrancadas, vias ficaram obstruídas e equipes trabalharam durante a madrugada para liberar pontos importantes, entre eles o Contorno Sul.

Entre os imóveis atingidos está a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes, que teve parte da cobertura arrancada. Lojas também tiveram fachadas e marquises danificadas. Prédios públicos sofreram alagamentos, incluindo a própria Prefeitura, onde a água atingiu o segundo andar e chegou ao primeiro piso e ao gabinete do prefeito. O prédio histórico onde funciona o Polo UAB e a sede da Amuvi também foi atingido.

Outro problema relatado pelo prefeito é a falta de energia elétrica. No momento da entrevista, Rodolfo estimava que entre 70% e 80% da cidade estivesse sem energia. Ele alertou que a situação poderia provocar também problemas no abastecimento de água, afetando captação, tratamento, bombas e poços artesianos.

Na rede municipal, equipes das áreas de Educação e Saúde iniciaram levantamentos dos prejuízos. Unidades escolares ficaram sem condições de receber alunos nesta terça-feira. Um dos prédios municipais teve a cobertura completamente arrancada, incluindo partes da estrutura do telhado. O prefeito estima que os prejuízos públicos cheguem a vários milhões de reais, além das perdas sofridas por famílias e empresas. Segundo ele, há relatos de moradores que perderam móveis, eletrodomésticos e outros bens depois que a chuva invadiu as residências.

Rodolfo também relatou uma grande quantidade de árvores derrubadas ou danificadas. Em uma estimativa preliminar, acredita que mais de 200 árvores tenham caído, precisem ser retiradas ou estejam condenadas. O trabalho de limpeza e retirada dos entulhos deverá durar vários dias. Durante a entrevista, o prefeito se emocionou ao comentar os relatos de famílias que precisaram procurar abrigo dentro das próprias casas enquanto o temporal arrancava telhados. Apesar da dimensão dos estragos, destacou que, até aquele momento, não havia registro de mortes. Algumas pessoas sofreram ferimentos leves provocados por telhas e objetos lançados pelo vento.

“Claro que a gente não queria nada disso, mas a gente vai recuperar, a gente vai enfrentar isso. Não teria o que fazer se fosse uma vida humana”, afirmou Rodolfo. O prefeito também citou registros de grande acúmulo de granizo em alguns pontos e disse que o vento teria alcançado cerca de 125 km/h. Ele orientou a população a manter atenção às condições das residências, principalmente telhados, calhas e estruturas mais vulneráveis, diante da possibilidade de novos episódios de chuva forte.

Questionado pelo repórter Ronaldo Senes sobre o atendimento às famílias, Rodolfo informou que a Prefeitura fará o cadastramento das pessoas em situação de vulnerabilidade para organizar a distribuição de materiais e outras formas de assistência. O município já dispõe de lonas, telhas, parafusos e pregos adquiridos preventivamente e também conseguiu apoio da Defesa Civil Estadual. No encerramento da entrevista, Rodolfo Mota disse acreditar que Apucarana poderá precisar da solidariedade de moradores de toda a região para ajudar principalmente quem perdeu praticamente tudo durante o temporal.

“Provavelmente vamos precisar da solidariedade do nosso povo, da região, do Vale do Ivaí, para poder ajudar essas famílias que perderam tudo”, concluiu o prefeito.