Dívida histórica: números indicam mudança na trajetória dos encargos da dívida de Apucarana

A dívida de Apucarana com o Tesouro Nacional — apontada como uma das maiores entre os municípios brasileiros — voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal. O tema foi levantado pelo vereador Lucas Leugi, que atribuiu o crescimento mensal dos juros à falta de ação da atual administração. No entanto, dados oficiais sobre a evolução dos encargos da dívida mostram um cenário diferente.

Treze anos de crescimento contínuo – Levantamento baseado nos encargos mensais da dívida, que incluem juros e atualização monetária em valores corrigidos, revela a evolução do passivo entre 2013 e 2026, abrangendo três administrações municipais.

Durante a gestão de Beto Preto (2013–2018), a média mensal dos encargos passou de R$ 3,19 milhões, em 2013, para R$ 6,89 milhões, em 2018, registrando crescimento constante ao longo do período, sem avanços em negociações junto à União para reestruturação da dívida.

Na administração de Junior da Femac (2019–2024), os valores atingiram os maiores patamares da série histórica. Em 2020, a média mensal dos encargos chegou a R$ 17,8 milhões e, em 2021, ultrapassou R$ 18 milhões. Mesmo ao final da gestão, em 2024, a média permanecia em R$ 14,5 milhões por mês. Nesse intervalo, não houve formalização de acordos de parcelamento ou redução do passivo junto ao Tesouro Nacional, mantendo a trajetória de crescimento da dívida.

Redução dos encargos a partir de 2025 – Os números passam a apresentar uma mudança de comportamento a partir de 2025, início da gestão do prefeito Rodolfo Mota. Naquele ano, a média mensal dos encargos caiu para R$ 8,82 milhões. Em 2026, o valor foi reduzido para R$ 5,11 milhões, representando uma queda superior a 70% em relação ao pico registrado em 2021 e o menor índice desde 2016.

De acordo com a administração municipal, a redução decorre das negociações conduzidas com a União. Após meses de tratativas técnicas, o município obteve a revisão do saldo devedor, que passou de R$ 1.233.408.909,62 para R$ 435.713.515,23, uma diminuição de R$ 803.385.791,25.

A Prefeitura informa ainda que as negociações continuam com o objetivo de parcelar o saldo remanescente em condições consideradas sustentáveis, buscando uma solução definitiva para uma dívida que se acumula desde o início dos anos 2000 e que, segundo a administração, permaneceu sem reestruturação nas gestões anteriores.