Regulação da Saúde de Apucarana é reconhecida como melhor experiência do Paraná

A experiência de Apucarana na regulação da Saúde, responsável por organizar o acesso da população a consultas, exames e serviços especializados, foi reconhecida como a melhor do Paraná durante o XXXIX Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), realizado em Porto Alegre (RS), e integra o conjunto de experiências paranaenses reconhecidas entre as melhores experiências exitosas do país. O projeto “Inovação disruptiva na regulação: da fila invisível à gestão estratégica com transparência e equidade”, desenvolvido pela Autarquia Municipal de Saúde (AMS), recebeu o prêmio de “Melhor Projeto SUS no Estado do Paraná”.

Ao comentar a conquista, o prefeito Rodolfo Mota destacou a transformação promovida pela Prefeitura. “Encaminhamentos que antes eram transportados em malotes e permaneciam armazenados em caixas de papelão passaram a tramitar digitalmente”, recordou. “Identificamos 46,7 mil registros e a revisão mostrou que 71% deles já não correspondiam a uma demanda efetiva. Com isso, a Autarquia de Saúde passou a trabalhar com um volume de solicitações mais próximo da realidade e a definir prioridades de acordo com a necessidade clínica de cada paciente”, enfatizou.

O anúncio da premiação foi feito nesta terça-feira (29/09) pelo secretário municipal de Saúde, médico Guilherme de Paula, durante a audiência pública de prestação de contas do segundo quadrimestre de 2026. Segundo ele, o reconhecimento é resultado da mudança de processos, do uso da tecnologia e da adoção de critérios clínicos para organizar a demanda. “Não basta ter uma fila organizada; precisamos saber quem está esperando, por que está esperando e qual é a prioridade de cada paciente”, destacou.

Uma das principais mudanças foi a digitalização dos encaminhamentos feitos pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Antes, as guias eram transportadas em malotes até a Autarquia Municipal de Saúde e armazenadas em caixas, podendo levar até 90 dias para que o paciente entrasse efetivamente no processo de regulação. Com a digitalização, o tempo médio de trânsito da guia caiu para dois dias. “Quando o paciente vai a uma UBS, 48 horas depois, por exemplo, ele já estará na fila no Portal da Transparência e, quando quiser, poderá acompanhar em que posição está nessa fila”, explicou o secretário.

A priorização clínica também mudou a forma de organizar a fila. A posição passou a considerar, além do tempo de espera, a gravidade de cada caso. Ao todo, 925 pacientes foram reavaliados e reposicionados de acordo com critérios clínicos. A AMS também adotou protocolos para as diferentes especialidades, com base em materiais desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A aplicação desses critérios resultou na devolução de 2.784 encaminhamentos que puderam ser resolvidos na própria Atenção Primária, sem necessidade de consulta especializada.

Revisão identificou que 71% dos registros não representavam demanda efetiva

Dos aproximadamente 46.760 registros inicialmente identificados, a revisão mostrou que 71% já não correspondiam a uma demanda efetiva. Foram encontrados casos duplicados, pacientes que haviam mudado de município, situações já solucionadas e até registros de pessoas que haviam falecido. Com a revisão, restaram cerca de 13 mil usuários que efetivamente aguardavam atendimento.

As filas de consultas, exames e procedimentos passaram a ficar disponíveis para acompanhamento no Portal da Transparência. O modelo desenvolvido em Apucarana também despertou interesse de outras estruturas de saúde. A experiência já foi apresentada às Regionais de Saúde de Maringá e Londrina e, recentemente, para mais de 164 secretários municipais de Saúde de São Paulo, interessados em conhecer o modelo e avaliar sua implantação em outros municípios.

Segundo Guilherme, além do reconhecimento como melhor experiência do Paraná, a iniciativa também está entre as experiências de destaque no país. “Nós ganhamos o prêmio de melhor experiência do Paraná. Somos considerados, se não a melhor do Brasil, uma das melhores”, afirmou. O COSEMS-PR também classificou as experiências paranaenses premiadas no congresso entre as melhores experiências exitosas do país.

De acordo com o secretário, uma das características do projeto é a possibilidade de reprodução por outras administrações, utilizando a estrutura e os recursos já disponíveis. “O que nós fizemos tem uma replicabilidade muito fácil. Já apresentamos para as regionais, que estão interessadas em replicar”, afirmou.

O trabalho de modernização da regulação é coordenado pelo médico Márcio Renan Fabene, do Setor de Regulação da Autarquia Municipal de Saúde.