MAUÁ DA SERRA – Após polêmicas, concessionária fecha estrada rural usada como desvio dos pórticos de pedágio

Depois de semanas de idas e vindas, discussões e manifestações contrárias à medida, a Motiva Paraná cumpriu o que havia informado anteriormente e fechou o acesso de uma antiga estrada rural de Mauá da Serra que vinha sendo utilizada como alternativa aos pórticos de pedágio. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, moradores encaminharam ao Blog do Berimbau fotos mostrando o bloqueio instalado no local.

A estrada está no centro de uma polêmica desde a implantação dos pórticos na região. Para a Prefeitura de Mauá da Serra, trata-se de uma via antiga, existente há décadas e integrante da malha viária municipal. Já a concessionária sustenta que suas medidas estão relacionadas à segurança viária e às obrigações previstas na concessão. O acesso passou a registrar maior movimento depois do início da cobrança, sendo utilizado por motoristas como alternativa para evitar a passagem pelos pórticos.

A discussão ganhou força no final de julho, quando representantes da Motiva Paraná e da Polícia Rodoviária Federal estiveram no acesso rural que chega à região da PR-272, sentido Faxinal. Na ocasião, foi informado que seriam instaladas porteiras para impedir a utilização da passagem. A Prefeitura contestou a medida e alegou que não havia sido previamente notificada sobre a intervenção.

Um dos argumentos apresentados para justificar o fechamento foi a segurança. Documento da PRF, datado de 23 de junho, apontava a existência de um acesso considerado irregular no km 291 da BR-376 e relatava que alguns motoristas estariam ingressando na rodovia na contramão, criando risco de colisões frontais. Na época, a concessionária informou ao Blog do Berimbau que suas ações tinham como premissa a preservação da segurança dos usuários e a adequada operação da rodovia, conforme suas obrigações contratuais e a legislação vigente.

O prefeito Giva Lopes, que desde o início vem contestando a situação, afirmou recentemente, em entrevista ao repórter Ronaldo Senes, o Berimbau, que a luta do município continua. Ele reconheceu, porém, que as concessionárias possuem forte respaldo jurídico e contratos que dificultam determinadas intervenções por parte das prefeituras.

Giva também citou situações ocorridas em outras regiões para explicar a cautela necessária por parte do poder público. Segundo o prefeito, há exemplos de gestores que enfrentaram ações de indenização, inclusive com cobranças superiores a meio milhão de reais vinculadas ao CPF, após intervenções envolvendo estruturas ou áreas relacionadas às concessões.

Desde o início da cobrança, moradores da Serra do Cadeado e de comunidades próximas reclamam principalmente da necessidade de passar pelos pórticos para acessar a área urbana de Mauá da Serra. O município chegou a realizar melhorias na estrada rural como alternativa de deslocamento, aumentando ainda mais o impasse com a concessionária.

Agora, com o fechamento efetivamente realizado nesta sexta-feira, o acesso que vinha sendo utilizado como alternativa aos pórticos está bloqueado. Apesar da medida, o prefeito afirma que o município não considera a discussão encerrada e continuará buscando caminhos administrativos e jurídicos para defender uma solução para os moradores afetados.