Três meses após grave acidente, moradores afirmam que problemas persistem na comunidade do Palmital em Cândido de Abreu

Passados aproximadamente três meses do grave acidente ocorrido na comunidade rural do Palmital, em Cândido de Abreu, moradores denunciam que as condutas que, em tese, contribuíram para a tragédia continuam sendo praticadas por motoristas de veículos do município.

O acidente aconteceu no dia 28 de março de 2026 e envolveu um caminhão-caçamba da Prefeitura e a motocicleta conduzida pelo jovem Otávio Demczuk. Conforme apurado no inquérito policial, a investigação busca esclarecer as circunstâncias da colisão. Segundo a linha investigativa, em tese, o caminhão teria acessado a via principal em alta velocidade, vindo a atingir a motocicleta.

As consequências foram graves. Otávio sofreu a dilaceração de um dos braços, permaneceu cinco dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ficou mais de 35 dias hospitalizado no Hospital Honpar. Mesmo após receber alta, continua em tratamento médico e de reabilitação, enfrentando um longo processo de recuperação. Em razão da gravidade das lesões, existe a possibilidade de sequelas permanentes que podem comprometer sua qualidade de vida e sua capacidade para o trabalho.

Segundo moradores da comunidade, o acidente não foi suficiente para mudar a forma como alguns veículos oficiais trafegam pelo local.

Em vídeo gravado nesta semana, é possível observar, aparentemente, um veículo do município acessando a via principal sem realizar a parada obrigatória e em velocidade incompatível com o cruzamento, situação que, segundo os moradores, continua colocando em risco motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres que utilizam diariamente a estrada.

Os moradores afirmam que diversas denúncias já foram encaminhadas ao Poder Público, porém relatam que, até o momento, não perceberam mudanças efetivas na conduta dos motoristas nem a adoção de medidas capazes de aumentar a segurança no local.

A defesa da vítima acompanha o andamento do inquérito policial e informa que a expectativa é de que a investigação seja concluída nos próximos dias. “É preocupante que um procedimento administrativo tenha sido instaurado apenas cerca de três meses após um acidente de extrema gravidade. Mais preocupante ainda é o fato de que a defesa recebeu informações de que haveria histórico de condutas semelhantes atribuídas ao mesmo servidor público. Se essas informações forem confirmadas durante a apuração, será necessário verificar se já existiam ocorrências anteriores e se medidas administrativas poderiam ter sido adotadas para evitar que esse grave acidente acontecesse. Esperamos que o inquérito policial seja concluído na próxima semana e que a autoridade policial adote as providências que entender cabíveis, sempre com base nas provas produzidas durante a investigação.”, afirmou o advogado Dr. Emerson Zelinski.

A comunidade do Palmital afirma que não deseja que outra família passe pelo sofrimento enfrentado por Otávio e seus familiares. Os moradores cobram maior fiscalização, orientação aos condutores dos veículos oficiais, respeito às normas de trânsito, cumprimento da sinalização e a adoção de medidas efetivas para garantir a segurança de todos que utilizam a via.

Para a comunidade, o acidente que quase tirou a vida de Otávio não pode ser tratado como um episódio isolado. O caso deve servir de alerta para que a prevenção seja prioridade e para que medidas concretas sejam implementadas antes que uma nova tragédia aconteça.

Enquanto Otávio segue em tratamento, enfrentando as consequências físicas e emocionais do acidente e convivendo com a possibilidade de sequelas permanentes, os moradores esperam que as autoridades adotem providências efetivas para que nenhuma outra família tenha que viver o mesmo sofrimento.

O Blog do Berimbau deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Cândido de Abreu e dos demais envolvidos, caso desejem apresentar esclarecimentos sobre os fatos relatados. Tentamos contato com o fone fixo das prefeitura, mas a mensagem diziam: “Telefone encontra-se desligado”. No 0800, a ligação era encerrada quando o ramal era digitado.