
BERIMBALADAS
A contratação de serviços de guincho pela prefeitura de Mauá da Serra provocou uma polêmica entre a administração municipal e integrantes da Câmara de Vereadores. O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) nº 002/2026 aponta irregularidades na contratação e nos pagamentos à empresa CD – Guincho e Sucatas Ltda., incluindo um transporte de R$ 900 cuja execução, segundo a comissão, não foi comprovada. Em entrevista ao repórter Ronaldo Senes, o Berimbau, o prefeito contestou as conclusões, afirmou possuir elementos que demonstram a realização do serviço e pediu o encaminhamento do caso ao Ministério Público.
O relatório, datado de 19 de outubro, é assinado pelos vereadores Marcio Dias de Oliveira, presidente; Leonardo Wellington de Oliveira, relator; e Suzelaine Cristina de Oliveira Bonfim, membro. A investigação analisou pagamentos por remoções de veículos municipais e o relacionamento afetivo entre a secretária de Saúde, Cleudete Machado de Oliveira, e o empresário Sedenir Godoi Desiderio, titular da empresa com o filho.
Conforme a CPI, o Fundo Municipal de Saúde pagou R$ 1.550 à empresa em 2025, utilizando recursos da conta de custeio do SUS. Outros R$ 750 foram empenhados pela Secretaria de Administração, mas a comissão informou não ter encontrado nos autos comprovantes de liquidação ou pagamento desse último valor.
O principal questionamento envolve o transporte de um Citroën C3 da frota municipal até uma concessionária em Maringá. Segundo o relatório, o veículo entrou na oficina em 6 de junho de 2025 e permaneceu até 19 de agosto. Entretanto, a nota fiscal utilizada para o pagamento de R$ 900 declara a prestação do serviço em 10 de julho, quando o automóvel já estava na concessionária.
Em depoimento à comissão, o empresário afirmou ter realizado pessoalmente o transporte em 6 de junho e emitido a nota posteriormente. A CPI, porém, considerou que faltavam documentos capazes de comprovar essa versão. Entre os elementos citados estão a ausência de comprovante de entrega e um registro da concessionária com a indicação de que o veículo não chegou rebocado. A comissão apontou indício de prejuízo aos cofres públicos, sem estabelecer condenação dos envolvidos.
Outro ponto destacado foi o atesto do serviço pela própria secretária de Saúde. Segundo o documento, ela e o empresário reconheceram o namoro, mas negaram casamento e residência conjunta. A CPI não comprovou casamento ou união estável e, por isso, não afirmou existir impedimento formal de contratação por esse motivo. Ainda assim, avaliou que a participação da secretária na certificação do serviço, sem comunicar o vínculo ou se declarar impedida, contrariou a impessoalidade e a moralidade administrativa.
Sobre a contratação, o relatório reconhece que os valores permitiam dispensa de licitação e que a ausência de contrato formal, isoladamente, não caracterizaria irregularidade. O problema apontado pela comissão foi a falta de procedimento documentado, com justificativa de preço, motivo da escolha da empresa e autorização da autoridade competente. O documento também registra que não foi comprovado sobrepreço.
RESPOSTA – Ao exercer seu direito de resposta na entrevista ao Berimbau, o prefeito afirmou que os serviços eram realizados por pronto pagamento e sustentou que os gastos de 2025 ficaram dentro do limite que considerava permitido para essa modalidade. Segundo ele, as despesas com guincho naquele ano ficaram em torno de R$ 10 mil, com atendimento por diferentes empresas do município.
O prefeito também comparou os gastos com os da administração anterior e alegou que, em 2024, os valores teriam ultrapassado R$ 20 mil, com concentração dos serviços em uma empresa, mas neste caso não houve nenhuma preocupação de vereadores.
Em relação ao transporte questionado, o chefe do Executivo afirmou possuir conversas com a concessionária, fotos, vídeos e testemunhas que comprovariam o uso do guincho. Segundo sua versão, o carro apresentava problemas no motor, soltava fumaça e não tinha condições de seguir rodando até Maringá. Ele contestou o preenchimento do documento que indica a chegada sem reboque e sustentou que mensagens de funcionários da concessionária confirmariam o transporte. A reportagem teve acesso aos prints com a concessionária.
O prefeito afirmou ainda que o servidor responsável pelos contatos com a concessionária não foi ouvido pela CPI e que esse funcionário teria a sequência das conversas sobre o atendimento. Anunciou que pretende divulgar os registros e submeter os celulares envolvidos à perícia. Os arquivos mencionados não integram o material disponibilizado para esta matéria.
Durante a entrevista, ele também destacou que a substituição do motor ocorreu em garantia, sem pagamento pelo município. Esse atendimento em garantia é reconhecido no próprio relatório da CPI; a controvérsia principal envolve a comprovação e a regularidade do transporte, e não uma cobrança pela troca do motor.
O prefeito atribuiu a repercussão do caso a interesses políticos e disse ter se aprofundado na situação depois de tomar conhecimento de manifestações que defendiam prisões. Negou desvio de recursos e pediu que vereadores aliados e de oposição apoiem o envio da investigação ao Ministério Público. “Eu gostaria, queria, quero que vá para o Ministério Público, sim”, declarou.
O prefeito também fez críticas a uma emissora de TV de Londrina, afirmando que a reportagem publicada foi tendenciosa e fez um pré-julgamento de algo que será provado o contrário. O Blog do Berimbau falou com o produtor, o qual informou que em breve uma nota será publicada. Quando isso ocorrer, ela vai constar nesta reportagem. No link de áudio, ouça a fala do prefeito.































































































































































































































