POLÊMICA – Senado rejeita a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias,

(Foto da Agência Brasil)

O Senado Federal protagonizou, nesta quarta-feira (29), um dos momentos mais marcantes da história política recente do país ao rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Com 42 votos contrários e 34 favoráveis, o nome foi barrado, mesmo sendo necessários 41 votos para aprovação. A decisão encerrou imediatamente a tramitação e arquivou a indicação.

O episódio é considerado histórico porque não ocorria uma rejeição desse tipo há mais de 130 anos. A última vez que o Senado havia recusado um indicado ao STF foi em 1894, ainda no governo do marechal Floriano Peixoto. Desde então, todas as indicações presidenciais para a Corte vinham sendo aprovadas, o que reforça o peso político e institucional do resultado atual.

A votação foi rápida, durando pouco mais de sete minutos, e pegou de surpresa até aliados do governo. A expectativa, inclusive entre parlamentares da base, era de que Messias tivesse entre 45 e 48 votos favoráveis. A derrota, portanto, foi interpretada como um revés expressivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia anunciado a indicação há cerca de cinco meses.

Nos bastidores, a articulação da oposição ganhou força nas últimas semanas e foi decisiva para a rejeição. Parlamentares contrários ao governo comemoraram o resultado, enquanto governistas demonstraram perplexidade diante da reviravolta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encerrou a sessão logo após a votação, por volta das 19h15.

Além do impacto político imediato, a decisão também foi interpretada por analistas e integrantes do próprio Congresso como um recado institucional ao Supremo Tribunal Federal em meio ao atual cenário de forte polarização política no país. O resultado sinaliza uma tentativa de reafirmação do papel do Legislativo no equilíbrio entre os Poderes, especialmente diante de críticas recorrentes sobre o protagonismo do Judiciário em temas sensíveis.

Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias chegou a defender a necessidade de equilíbrio entre os Poderes e criticou o chamado “ativismo judicial”, destacando que o STF não deve assumir funções do Legislativo ou do Executivo. Mesmo assim, suas posições não foram suficientes para garantir apoio no plenário.

A rejeição também ocorre em um momento de tensão institucional, em que decisões do STF têm sido alvo de críticas por parte de setores políticos e da sociedade. Nesse contexto, o voto dos senadores acaba ganhando uma leitura mais ampla, indo além da análise individual do indicado e refletindo o ambiente político nacional.

Agora, cabe ao presidente da República indicar um novo nome para a vaga deixada pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso, reabrindo um processo que, tradicionalmente, era visto como protocolar, mas que, após o episódio desta quarta-feira, passa a ser encarado com maior imprevisibilidade.

O caso entra para a história como um marco na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário, evidenciando que, em tempos de polarização, decisões institucionais tendem a carregar significados políticos ainda mais profundos.

“Por 42 votos a 34, o Senado fez história e evitou que a esquerda e o PT aparelhassem ainda mais o Estado e a Justiça. Podemos dizer com confiança que o Brasil tem futuro”, diz nota divulgada pelo pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro.