BORRAZÓPOLIS – Mataram a “Marelinha”, um xodó da Rua Mato Grosso

Parece não ter fim a crueldade contra animais em Borrazópolis. Neste domingo, 4 de outubro de 2026, mais um caso lamentável foi registrado na Rua Mato Grosso, onde uma cadelinha de rua, carinhosamente apelidada de “Marelinha”, morreu após apresentar sinais de um possível envenenamento. Muito dócil, ela havia conquistado o carinho dos moradores e se tornado uma espécie de xodó da vizinhança. Nossa reportagem esteve no local e participou da tentativa de salvá-la, inclusive com a administração de carvão ativado, mas, infelizmente, a cachorrinha não resistiu. A suspeita é de que tenha sido vítima de uma ação criminosa, embora a causa da morte ainda não tenha sido confirmada por exame veterinário.

Marelinha andava com os filhos de outra cadela abandonada que vive na mesma rua e já teve inúmeras crias. Os moradores chegaram a tentar capturar esta outra cadela para realizar a castração, mas, por ser um animal arisco, não conseguiram. A situação foi comunicada à prefeitura, porém, até o momento, segundo os relatos, o procedimento ainda não aconteceu e existe a preocupação de que novas ninhadas apareçam. Marelinha, por outro lado, era dócil e já havia sido castrada por iniciativa de uma moradora. Na vizinhança, ninguém lhe negava água, comida ou um pouco de carinho. Mesmo assim, acabou tendo esse triste fim.

O episódio também serve como um apelo. Uma sugestão do Blog do Berimbau, seria promover um CastraPet específico para cães e gatos em situação de rua, priorizando aqueles que realmente estão abandonados e continuam se reproduzindo sem qualquer controle. Muitas vezes, quando são abertas campanhas gratuitas, pessoas que possuem condições de custear o procedimento também ocupam as vagas, enquanto animais que vivem nas ruas permanecem sem atendimento. É preciso encontrar uma maneira de chegar até eles, inclusive com equipes preparadas para a captura humanitária dos mais ariscos.

Vale lembrar que maltratar ou matar cães e gatos, inclusive por envenenamento, é crime previsto na legislação brasileira, com pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A Polícia orienta que situações suspeitas sejam denunciadas por meio de boletim de ocorrência. O problema é que, diante de tantos episódios e da dificuldade de identificar os responsáveis, parte da população acaba desanimando.

Fica aqui uma reflexão: O morador que oferece comida, água ou abrigo a um animal abandonado não é responsável pelo problema, muito menos deve ser condenado por demonstrar compaixão. Essas pessoas estão apenas tentando corrigir o erro de quem abandona, deixa procriar e vira as costas para uma vida indefesa. Marelinha não tinha culpa de estar na rua. Ela só precisava de cuidado e de uma oportunidade para viver.